Elitserv | LEI REVOLTA RESUMO
ONDE ESTAMOS
WHATSAPP

LEI REVOLTA RESUMO

O caçador de recompensas procurando por escravos fugitivos, 1823, por Rugendas

Escravidão no mundo
Traficantes de escravos árabes e seus cativos ao longo do rio Rovuma

Fotografia de um menino escravo em Zanzibar
, em 1890
A escravidão foi praticada por muitos povos, em diferentes regiões, desde as épocas mais antigas. Eram feitos escravos em geral, os prisioneiros de guerra e pessoas com dívidas, mas posteriormente destacou-se a escravidão de negros. Na idade Moderna, sobretudo a partir da descoberta da América, houve um florescimento da escravidão. Desenvolvendo-se então um cruel e lucrativo comércio de homens, mulheres e crianças entre a África e as Américas. A escravidão passou a ser justificada por razões morais e religiosas e baseada na crença da suposta superioridade racial e cultural dos europeus.
Chama-se de tráfico negreiro
o transporte forçado de africanos
para asAméricas
como escravos
, durante operíodo colonialista
.ÁfricaVer artigos principais: Escravidão na África
eEscravidão subsariana
Ver também: Tráfico árabe de escravos
ePiratas da Barbária

As primeiras excursões portuguesas àÁfrica
subsaariana foram pacíficas (o marco da chegada foi a construção da fortaleza de S. Jorge da Mina, em Gana, em 1482). Portugueses muitas vezes se casavam com mulheres nativas e eram aceitos pelas lideranças locais. Já em meados da década de 1470 os “portugueses tinham começado a comerciar na Enseada do Benim
e frequentar o delta do rio Níger
e os rios que lhe ficavam logo a oeste”, negociando principalmente escravos com comerciantes muçulmanos.
Os investimentos na navegação da costa oeste da África foram inicialmente estimulados pela crença de que a principal fonte de lucro seria a exploração de minas de ouro, expectativa que não se realizou. Assim, consta que o comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico
entre 1450 e 1900 contabilizou a venda de mais de 11 313 000 indivíduos .
Em torno do comércio de escravos estabeleceu-se o comércio de outros produtos, tais como marfim
, tecido
,tabaco
, armas de fogo e peles
. Os comerciantes usavam como moeda pequenos objetos de cobre, manilhas e contas de vidro trazidos de Veneza. Mas a principal fonte de riqueza obtida pelos europeus na África foi mesmo a mão-de-obra barata demandada nas colônias americanas e que pareceu-lhes uma boa justificativa para os investimentos em explorações marítimas que, especialmente os portugueses, vinham fazendo desde oséculo XIV. Dessa forma, embora noséculo XV os escravos fossem vendidos em Portugal
e na Europa
de maneira geral, foi com a exploração das colônias americanas que o tráfico atingiu grandes proporções.
Entre o século XVI e o século XVIIIestima-se que cerca de 1,25 milhões de Europeus cristãos foram capturados por piratas e forçados a trabalhar no Norte de África. Esta época foi particularmente marcada pelo reinado de Moulay Ismail

.América Comércio atlântico de escravos

Brasil  Escravidão no Brasil

Jean-Baptiste Debret
(1768-1848) foi um dos principais pintores das condições dos escravos no Império do Brasil

O caçador de recompensas procurando por escravos fugitivos, 1823, por Rugendas

Mercado de escravos (Henry Alken, 1822) – Acervo Digital Afro-Brasileiro Flickr
A mais antiga forma de escravidão no Brasil foi dos “gentios da terra” ou “negros da terra”, os índios
. A escravização de índios foi proibida peloMarquês de Pombal
. Eram considerados pouco aptos aotrabalho
.[“carece de fontes”
]
Os primeiros escravos negros chegaram ao Brasil entre 1539 e 1542, na Capitania de Pernambuco
, primeira parte da colônia onde a cultura canavieira
desenvolveu-se efetivamente. Foi uma tentativa de solução à “falta de braços para a lavoura”, como se dizia então.
Os principais portos
de desembarque de cativos africanos foram, entre os séculos XVI e XVII, os do Recife
e deSalvador
, e entre os séculos XVIII e XIX, os do Rio de Janeiro
e de Salvador — de onde uma parte seguiu para as Minas Gerais
e para as plantações de café doVale do Paraíba
. A distância entre os portos de embarque (na África) e desembarque (no Brasil) era um fator determinante.
Os portugueses, brasileiros e mais tarde os holandeses traziam os negros africanos de suas colônias na África
para utilizar como mão-de-obra
escrava nos engenhos
de rapadura
do Nordeste. Os comerciantes de escravos vendiam os africanos como se fossem mercadorias, as quais adquiriam de tribos africanas que haviam feito prisioneiros. Os mais saudáveis chegavam a valer o dobro daqueles mais fracos ou velhos. Eram mais valorizados, para os trabalhos na agricultura, os negros Bantos
ouBenguela
ou Banguela ou do Congo
, provenientes do sul da África, especialmente de Angola
eMoçambique
, e tinham menos valor os vindo do centro oeste da África, os negros Mina
ou da Guiné, que receberam este nome por serem embarcados no porto de São Jorge de Mina, na atual cidade de Elmina
, e eram mais aptos para a mineração, trabalho o qual já se dedicavam na África Ocidental
. Por ser a Bahia mais próxima da Costa da Guiné (África Ocidental) do que de Angola, a maioria dos negros baianos são de Guiné.
Como eram vistos como mercadorias
, ou mesmo como animais, eram avaliados fisicamente, sendo melhor avaliados, e tinham preço mais elevado, os escravos que tinhamdentes
bons, canelas
finas, quadril estreito e calcanhares altos, em uma avaliação eminentemente racista. O preço dos escravos sempre foi elevado quando comparado com os preços das terras, esta abundante no Brasil. Assim, durante todo o período colonial brasileiro, nos inventários
de pessoas falecidas, o lote (plantel) de escravos, mesmo quando em pequeno número, sempre era avaliado por um valor, em mil-réis, muito maior que o valor atribuído às terras
do fazendeiro
. Assim a morte de um escravo ou sua fuga representava para o fazendeiro uma perda econômica e financeira imensa. O transporte era feito da África para o Brasil nos porões do navios negreiros
. Amontoados, em condições desumanas, no começo muitos morriam antes de chegar ao Brasil
, sendo que os corpos eram lançados ao mar. Por isso o cuidado com o transporte de escravos aumentou para que não houvesse prejuízo. As condições da tripulação dos navios
não era muito melhor que a dos escravos.
Nas fazendas
de cana ou nas minas de ouro (a partir do século XVIII), os escravos eram tratados da pior forma possível. Trabalhavam muito, de quatorze a dezesseis horas, o que se tornou o principal motivo dos escravos fugirem; outro motivo eram os castigos e o outro era porque recebiam apenas trapos de roupa e uma alimentação de péssima qualidade (recebiam pouca comida e no máximo duas vezes por dia). Passavam as noites nas senzalas
(galpões escuros, úmidos e com pouca higiene) acorrentados para evitar fugas. Eram constantemente castigados fisicamente (quando um escravo se distraía no trabalho ou por outros motivos, eram amarrados em um tronco de árvore
e açoitados, as vezes, até perderem os sentidos); torturando-os fisicamente e psicologicamente, os senhores e seus algozes
buscavam destruir os valores do negro e forçá-lo a aceitar a ideia da superioridade da raça branca sendo que o açoite era a punição mais comum no Brasil Colônia
para os escravos. Além de todos esses castigos havia uma máscara que impedia os escravos de beberem e fumarem deixando os vícios; essa máscara era chamada de “máscara de folha de flandres”. A escravidão no Brasil levou a formação de muitos quilombos
que traziam insegurança e frequentes prejuízos a viajantes e produtores rurais.

Estados Unidos

Uma foto de 1863 de Gordon, um escravo açoitado
, distribuída no Norte
durante a Guerra Civil Americana

Ver artigo principal: Escravidão nos Estados Unidos

A história da escravidão nos Estados Unidos
inicia-se no século XVII, quando práticas escravistas similares aos utilizados pelos espanhóis
eportugueses
em colônias na América Latina
, e termina em 1863
, com a”Proclamação de Emancipação” deAbraham Lincoln
, realizada durante aGuerra Civil Americana
. Apesar de o tráfico de escravos ter sido proibido em1815
, o contrabando continua até o ano de 1860, enquanto no norte crescia a campanha pela abolição.
A Guerra Civil Americana
(também chamada de Guerra da Secessão) que se segue deixa um saldo de centenas de milhares de mortos e uma legião de negros marginalizados. Nenhum programa governamental é previsto para sua integração profissional e econômica. O sul permanece militarmente ocupado até 1877
, favorecendo o surgimento de sociedades secretas como os Cavaleiros da Camélia Branca
e a Ku Klux Klan
, que empregam a violência para perseguir os negros e defender a segregação racial.Portugal
Na época anterior à formação de Portugal como reino existe registo da prática de escravatura pelos Romanos, pelos Visigodos e durante o Alandalus a escravidão dos cristãos capturados e dos Saqaliba
. Depois da independência de Portugal tem-se conhecimento de ataques de piratas normandos a vilas costeiras, das razias que Piratas da Barbária
faziam entre a população costeira e das ilhas. As vilas ficavam geralmente desertas e a população era vendida no mercado de escravos do norte de África. Havia chefes corsários que vinham do norte de África até à península que eram elches, “renegados” da fé cristã ou mouriscos capturados que mudavam de “lado”. Os prisioneiros de guerra capturados na península tornavam-se escravos. Só em 6 de julho de 1810 com a assinatura do primeiro tratado luso-argelino de tréguas e resgate, confirmado em 1813, com a assinatura do Tratado de Paz, acabou a razia nas vilas costeiras de Portugal e captura de portugueses para a escravatura no norte de África.
Antes de 1415, através do resgate de cativos portugueses fizeram-se os primeiros contactos com comércio de escravos na cidade de Ceuta. Resgatar familiares era obrigação cujo descumprimento poderia originar pesadas penas. As igrejas mantinham caixinhas de peditório para resgate dos cativos. Crianças e mulheres tinham prioridade de serem resgatadas.
Quando em 1415
Portugal conquistouCeuta
havia aí um importante centro comercial onde confluíam rotas de escravos trazidos da África subsariana
por comerciantes beduínos
. A conquista de Ceuta pelos portugueses, levou os traficantes de escravos a desviar as suas rotas de comércio para outras cidades. Ceuta perdeu então importância comercial, mas tornou-se importante ponto estratégico-militar de vigilância ao comércio de outras mercadorias entre as costas europeias do Atlântico e a península itálica. Com a presença portuguesa no ocidente do Norte de África, o comércio de escravos não mais recuperou a importância que havia tido sob o domínio muçulmano.
Os portugueses, nas viagens que fizeram ao longo da costa na direção do sul de África, contactaram também aí com o comércio de escravos. O primeiro lote de escravos africanos transportados para Portugal foram os que a tripulação do navegador Antão Gonçalves
comprou na costa do Argüim (hoje Mauritânia
) em 1441. Quando, passado cerca de meio século, os primeiros Portugueses começaram a chegar à Guiné
, contactaram também com o tráfico negreiro aí existente, mas nessa altura o objectivo dos portugueses era já a Índia das especiarias. O desenvolvimento do comércio de escravos, com envolvimento de portugueses, só veio a acontecer no século XVII em competição com holandeses, ingleses e franceses, vindo a ter o seu auge noséculo XVIII com o comércio dos escravos africanos para o Brasil.
No entanto, o corpo legislativo emanado das chancelarias régias portuguesas é abundante em diplomas destinados a reprimir a escravatura e a proteger os indígenas: provisões de D. João II
, de 5 de Abril e 11 de Junho de 1492, e alvarás de 18 de Julho e 10 de Dezembro de 1493; a célebre lei de 20 de Março de 1570 sobre “”a liberdade dos gentios das terras do Brasil, e mais Conquistas””; a provisão de 20 de Setembro de 1570, onde o rei D. Sebastião
ordena que “”Portugues algum nam possa resgatar nem catiuar Iapão; e sendo caso, que resgatem, ou catiuem alguns dos ditos Iapões, os que assim forem resgatados, ou catiuos, ficaram livres…””. Os alvarás de 5 de Junho de 1605, de 3 de Julho de 1609, e o alvará com força de lei de 8 de Maio de 1758, vão no mesmo sentido.

No século XVIII foi aliás Portugal a tomar a dianteira na abolição da escravatura
. Decorria o Reinado de D. José I
quando, em 12 de Fevereiro
de1761
, esta foi abolida pelo Marquês de Pombal
no Reino
/Metrópole e na Índia
.
No século XIX, em 1836, o tráfico de escravos foi abolido em todo o Império
. Os primeiros escravos a serem libertados foram os do Estado, por Decreto de 1854, mais tarde, os das Igrejas, por Decreto de 1856. Com a lei de 25 de Fevereiro de 1869
proclamou-se a abolição da escravatura em todo o Império Português
, até ao termo definitivo de 1878.

Com relação à historiografia sobre a escravidão em Portugal, podem ser definidos dois períodos. Primeiramente, do século XIX a meados do século XX, os historiadores tinham uma preocupação em combater a imagem negativa que recaía sobre Portugal, figurado como país iniciador da escravatura moderna. Uma segunda fase, iniciada nos anos 1960, já não demonstrava tal preocupação, focando em aspectos demográficos, económicos, sociais e culturais da escravidão portuguesa.

Translate »
COPYRIGHT © 2018 | TODOS OS DIREITOS RESERVADOS