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Revolta

                                                                                                                                                 

                         Uma diferença de revolta e de mudança que revolucionou o brasil

 

Primeiro equipamento do gênero no País, o Parque Memorial Quilombo dos Palmares reconstitui o cenário de uma das mais importantes histórias de resistência à escravidão ocorridas no mundo: a história do Quilombo dos Palmares – o maior, mais duradouro e mais organizado refúgio de negros escravizados das Américas. Nele, reinou Zumbi dos Palmares, o herói negro assassinado em 20 de novembro de 1695, data em que se comemora o Dia Nacional da Consciência Negra.
Fruto de uma luta de mais de 25 anos do Movimento Negro brasileiro, o Memorial foi implantado em 2007 pelo Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares,  no território original da longa e sangrenta batalha – a Serra da Barriga, para cujas matas milhares de negros escravizados rebelados fugiram durante o período de dominação holandesa. Para difundir este capítulo da história do Brasil, a Fundação Palmares preparou um passeio virtual pelo único parque temático cultural afro-brasileiro.

O Quilombo dos Palmares foi um dos mais importantes quilombos do Período Colonial da História do Brasil. Ele surgiu e se desenvolveu na antiga capitania de Pernambuco, na região da Serra da Barriga. O auge do Quilombo dos Palmares foi a segunda metade do século XVII, embora tenha surgido no final do século XVI.

O Quilombo dos Palmares foi umquilombo
da era colonial brasileira. Localizava-se na Serra da Barriga
, na então Capitania de Pernambuco
, região hoje pertencente ao município deUnião dos Palmares
, no estadobrasileiro
de Alagoas
.
Conheceu o seu auge na segunda metade do século XVII, constituindo-se no mais emblemático dos quilombos formados no período colonial
. Resistiu por mais de um século, o seu mito transformando-se em moderno símbolo da resistência do africano
àescravatura
. Os quilombos foram uma forma de rebelião contra a condição de escravo e chegaram a oferecer resistência contra o sistema escravista, que obrigava homens e mulheres trazidos da África a prestarem serviços forçados. Os escravos trabalhavam de maneira desumana e sem qualquer tipo de remuneração. Foi na região da Serra da Barriga, na então Capitania de Pernambuco, que Ganga Zumba
e outros escravos fugidos formaram o Quilombo dos Palmares. Este foi atacado diversas vezes até ser derrotado, demonstrando assim sua grande organização política e militar.

Lagoa Encantada dos Negros, onde os quilombolas palmarinos repousavam e saciavam a sede, afiavam suas armas e ferramentas, e, de acordo com suas crenças, alimentavam suas almas com a presença do supremo através da energia da natureza à sombra dagameleira
.

À época das invasões holandesas do Brasil
(1624-1625 e 1630-1654), com a perturbação causada nas rotinas dos engenhos de açúcar
, registrou-se um crescimento da população em Palmares, que passou a formar diversos núcleos de povoamento (“mocambos”). Os principais foram:
* Cerca Real do Macaco – o maior centro político do quilombo, contando com cerca de 1.500 habitações;
* Subupira – centralizava as atividades militares, contando com cerca de 800 habitações;
* Zumbi- era o líder do povo.Tornou-se símbolo da luta dos afro-brasileiros contra a opressão e a discriminação;
* Dandara – esposa de Zumbi, liderava as falanges femininas do exército palmarino.
Embora não se possa precisar o número de habitantes nos Palmares, de vez que a população flutuava ao sabor das conjunturas, historiadores estimam que, em 1670, alcançou cerca de vinte mil pessoas. No principal mocambo, a Cerca Real do Macaco, calcula-se que viviam em terno de 6 mil pessoas, quase a população do Rio de Janeiro, estimada, em aproximadamente 1660, em 7 mil (incluindo indígenas e africanos)

Essa população sobrevivia graças àcaça
à pesca
à coleta
de frutas
(goiaba
caju
abacate
e outras) e àagricultura
(feijão
milho
mandioca
banana
laranja
e cana-de-açúcar
). Complementarmente, praticava oartesanato
(cestas
tecidos
cerâmica
metalurgia
). Os excedentes eram comercializados com as populações vizinhas, de tal forma que colonos chegavam a alugar terras para plantio e a trocar alimentos por munição
com os quilombolas
.
Pouco se sabe, também, acerca da organização política do quilombo. Alguns supõem que se constituiu ali um verdadeiro Estado, nos moldes dos reinos africanos, sendo os diversos mocambos governados por oligarcas sob a chefia suprema de um líder.
Outros apontam para a possibilidade de uma descentralização do poder entre os diferentes grupos, pertencentes às diversas etnias
que formavam os núcleos de quilombos, que delegavam esse poder a lideranças militares conforme o seu prestígio. As mais famosas lideranças foram Ganga Zumba
e seu sobrinho, Zumbi
. Apesar disso, alguns historiadores sugerem que existe a possibilidade de que alguma forma de trabalho compulsório tenha sido praticada dentro do quilombo.

A repressão

Zumbi dos Palmares

Com a expulsão dos holandeses do Nordeste do Brasil
, acentuou-se a carência de mão-de-obra
para a retomada de produção dos engenhos de açúcar da região. Dado o elevado preço dos escravos africanos, os ataques a Palmares aumentaram, visando a recaptura de seus integrantes.
A prosperidade de Palmares, por outro lado, atraía atenção e receio, e o governo colonial sentiu-se obrigado a tomar providências para afirmar o seu poder sobre a região. Em carta à Coroa Portuguesa, um governador-geral reportou que os quilombos eram mais difíceis de vencer do que osneerlandeses
.
Foram necessárias, entretanto, cerca de dezoito expedições, organizadas desde o período de dominação holandesa, para erradicar definitivamente o Quilombo dos Palmares[7]
.
No último quartel do século XVII,Fernão Carrilho
ofereceu a Ganga Zumba, um líder que implementou táticas de guerrilha na defesa do território, um tratado de paz (1677). Por seus termos, era oferecida a liberdade aos nascidos no quilombo, assim como terras inférteis na região de Cocaú
. Grande parte dos quilombolas rejeitou os termos desse acordo, nitidamente desfavoráveis e, na disputa então surgida, Ganga Zumba foi envenenado, subindo ao poder o seu irmão, Ganga Zona
, aliado dos portugueses. O acordo foi, desse modo, rompido, tendo os dissidentes se restabelecido em Palmares, sob a liderança de Zumbi.
No primeiro momento, Zumbi substituiu a estratégia de defesa passiva por um tipo de estratégia deguerrilha
, com a prática de ataques de surpresa a engenhos, libertando escravos e apoderando-se de armas, munições e suprimentos, empregando-os em novos ataques.

A ação de Domingos Jorge Velho

Domingos Jorge Velho
Ver artigo principal: Guerra dos Palmares

Após várias investidas relativamente infrutíferas contra Palmares, o governador e capitão-general da Capitania de Pernambuco
, Caetano de Melo e Castro
, contratou o bandeirante
Domingos Jorge Velho
e o capitão-morBernardo Vieira de Melo
para erradicar de vez a ameaça dos escravos fugitivos na região.
O quilombo passou a ser atacado pelas forças do bandeirante e, mesmo experientes na guerra de extermínio, tiveram grandes dificuldades em vencer as táticas dos quilombolas, mais elaboradas que a dos indígenas
com quem haviam tido contato. Adicionalmente, tiveram problemas para contornar a inimizade surgida com os colonos da região, vítimas de saques dos bandeirantes em diversas ocasiões.
Em janeiro de 1694, após um ataque frustrado, as forças do bandeirante iniciaram uma empreitada vitoriosa, com um contingente de seis mil homens, bem armados e municiados, inclusive com artilharia
. Um quilombola, Antônio Soares, foi capturado e, mediante a promessa de Domingos Jorge Velho de que seria libertado em troca da revelação do esconderijo do líder, Zumbi foi encurralado e morto em uma emboscada, a 20 de novembro de 1695.
A cabeça de Zumbi foi cortada e conduzida para Recife
, onde foi exposta em praça pública no Pátio do Carmo
, no alto de um mastro
, para servir de exemplo a outros escravos.

Escravidão em Palmares

Zumbi dos Palmares foi decapitado e sua cabeça exposta até completa decomposição no Pátio do Carmo
(foto), Recife
.

Apesar ser vista por alguns movimentos e setores da sociedade como representantes da resistência à escravidão, muitos quilombos contavam com a escravidão internamente. Esta prática levou vários teóricos a interpretarem a prática dos quilombos como um conservadorismo africano, que mantinha as diversas classes sociais existentes na África, incluindo reis, generais e escravos.

Para alguns autores, no entanto, a escravidão nos quilombos em nada se assemelharia à escravidão dos brancos sobre os negros, sendo os escravos considerados como membros das casas dos senhores, aos quais deviam obediência e respeito,
semelhante àservidão
entre brancos, comum na Europa na Alta Idade Média
.
Para estes autores, a prática da escravidão teria dupla finalidade:
aculturar os escravos recém-libertos às práticas do quilombos, que consistiam em trabalho árduo para a subsistência da comunidade, já que muitos dos escravos libertos achavam que não teriam mais que trabalhar, e diferenciar os ex-escravos que chegavam aos quilombos pelos próprios meios (escravos fugidos, que se arriscavam até encontrar um quilombo. Sendo, neste trajeto, perseguidos por animais selvagens e pelos antigos senhores, e ainda, correndo o risco de serem capturados por outros escravistas), daqueles trazidos por incursões de resgates (escravos libertados por quilombolas que iam às fazendas e vilas para libertar escravos).
Por outro lado, outros autores apontam a existência de uma escravidão até mesmo predatória por parte dos habitantes do quilombo dos Palmares, que realizavam incursões nos territórios vizinhos, de onde traziam à força indivíduos para trabalharem como escravos em suas plantações, desenvolvendo assim uma espécie de “escravismo dentro da própria ‘república’.”

Escravos que se recusavam a fugir das fazendas e ir para os quilombos também eram capturados e convertidos em cativos dos quilombolas.

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